segunda-feira, 14 de junho de 2010

TEXTO 03

Grafite




A arte do grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes, dessa maneira temos relatos e vestígios do mesmo desde o Império Romano. Seu aparecimento na idade contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade, algum tempo depois essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.

O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.

O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros por sua vez não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro, o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.

Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois de um lado o grafite é desempenhado com qualidade artística, e do outro não passa de poluição visual e vandalismo. A pichação ou vandalismo é caracterizado pelo ato de escrever em muros, edifícios, monumentos e vias públicas. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde tradicionais latas de spray até o látex.



Principais termos e gírias utilizadas nessa arte:

• Grafiteiro/writter: o artista que pinta.

• Bite: imitar o estilo de outro grafiteiro.

• Crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúnem para pintar juntos.

• Tag: é assinatura de grafiteiro.

• Toy: é o grafiteiro iniciante.

• Spot: lugar onde é praticada a arte do grafitismo.


Por Eliene Percília


Equipe Brasil Escola.com


Acessado em 07/06/2010 http://www.brasilescola.com/artes/grafite.htm

TEXTO 02

ARTE NOS MUROS


Os Gêmeos colorem o Cambuci e o mundo

João Wainer
Repórter fotógrafo

Os gêmeos univitelinos Otávio e Gustavo Pandolfo, 31, grafiteiros conhecidos como Os Gêmeos, desde janeiro de 2005 já expuseram seus trabalhos em Londres, Paris, Milão, Tóquio, Los Angeles, Nova York, Berlim, Havana, Hong Kong e Atenas. [...] A Nike acaba de lançar um tênis desenhado por eles, e o jornal The New York Times publicou uma reportagem elogiando a dupla e afirmando que suas obras podem valer até US$ 15 mil (R$ 34,2 mil) nos EUA.

Com um currículo desses, poderiam estar morando em qualquer lugar do mundo, mas ainda moram por aqui, no Cambuci, bairro paulistano de classe média. Não trocam a região por nada e, para a felicidade geral dos vizinhos e transeuntes, o que os irmãos mais gostam de fazer é grafitar as paredes e os muros do próprio bairro, transformando-o em uma enorme galeria de arte urbana ao ar livre.

Com os seus personagens bem vestidos e minimalisticamente desenhados nas paredes, interagindo com a paisagem, Os Gêmeos percorrem o mundo, e o bairro do Cambuci teve muito haver com isso.

No começo da década de 80, o movimento hip-hop chegou a São Paulo, e o bairro foi um dos mais influenciados pelo rap, break e grafite. [...]

“Acho que, se tivéssemos crescido em outro bairro, nosso trabalho não seria o que é hoje. Talvez nem fôssemos artistas. A gente não pensava em nada, era só curtição. Fazíamos festas e dançávamos nas esquinas, vivíamos pintando na rua. Era um clima tranqüilo, muito diferente do de hoje em dia.”

As parede do Cambuci tiveram o privilégio, muito anos antes de os irmãos nascerem, de serem pintadas por outro grande pintor brasileiro. Alfredo Volpi, que morou lá até morrer em 1988, pintava paredes e murais sob encomenda no início da carreira e também retratou em sua obra o bairro que hoje inspira os mais novos expoentes das artes plásticas brasileiras. [...]

“Quando eram pequenos, dei a eles uma folha de papel. Começaram a desenhar, um por cima, o outro por baixo. No meio do desenho, os traços se encontraram – ficou lindo. Os meninos sempre se falaram pouco. Eles se entendem pelo olhar”, conta orgulhoso o pai.

“Na Verdade, o bairro para nós é um grande ateliê. As vezes, estamos em casa, surge uma idéia e vamos para a rua a procura da parede mais próxima para fazer. Todo mundo do bairro nos conhece. Vão logo liberando os muros”, explica a dupla. [...]



Fonte: WAINER, João. Os Gêmeos colorem o Cambuci e o mundo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 30 out. 2005, p. E6. Caderno Folha Ilustrada.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

MATERIAL DIDÁTICO DO PROJETO - GRAFITE É ARTE?

TEXTO 01

Grafite: arte urbana ganha espaço e reconhecimento


Por Blog Acesso

Era o branco e o preto. Era o cinza do asfalto que cobria o caminho. Era o cinza que se via não importava para onde se olhasse. Era a cidade que se vestia sem cores para se camuflar. Veio então um colorido. Vermelho, azul e amarelo. Veio o roxo, o laranja e o verde. Vieram então tantas cores que nem se podia imaginar. Tantas formas, tantas letras, que era impossível vislumbrar. Mas também veio o homem, que chamou tudo aquilo de lixo. O homem que não quis viver o colorido. O homem que não entendia aquela euforia, que não acreditava que tudo aquilo poderia ser beleza, que todo aquele grafite poderia ser arte. Arte que estava ali para ele e todos aqueles que quisessem ver. Eram os meados da década de 1960.

Surgida na periferia de Nova York, a cultura do grafite, com suas frases e caligrafias elaboradas, desenhos de protesto social e cunho político, foi, por décadas, tida como vandalismo. Primeiro por simbolizar transgressão, já que se apropriava de espaços públicos sem autorização prévia, depois porque seus traços incomuns chocavam os olhos de quem nunca havia visto tal arte. Porém, de uma forma conturbada, essa arte e expressão sociocultural sobreviveu a cinco décadas; ultrapassou as barreiras da cidade de Nova York e ganhou as ruas de todo o mundo; modificou a visão de muitos que a consideravam puro lixo e deixou, por vezes, de ser contravenção. Mas como?

São vários os pontos que convergiram para que a visão do grafite fosse modificada. Nenhuma delas é a principal, tão pouco seu papel é coadjuvante a ponto de poder ser excluída. No entanto, o mais importante é que uma sucessão de acontecimentos culminou na atual idéia que artistas, governo e população têm do que é grafite.

Se, nos meados de 1960 e 70, a população urbana crescia de modo avassalador, a cultura campestre e interiorana ainda era expressiva. Além disso, se dentro das galerias se vivia a efervescência da pop arte, fora delas a visão de liberdade artística era outra. Sem esquecer-se de que era extrema a cultura econômica. Vindo da periferia, o grafite não poderia ser avaliado de forma diferente do que como desordem e rebeldia que deveria ser contida.

Porém, os ideais urbanos aos poucos foram sendo absorvidos pela população que entendia a efemeridade das coisas e, porque não, da arte. Com o mesmo ritmo que modificavam os ambientes da cidade, modificava-se o olhar voltado ao grafite, que também mudava.

Se, quando usado pela primeira vez, o termo grafite – que significa inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade – fora aplicado como design de inscrições informativas do Império Romano, já em suas primeiras aparições para o uso urbano agregara o cunho político e social. No século 21, a manifestação ganhou o apreço artístico, antes inimaginável. Hoje, compreende-se a diferença entre grafite e pichação, esta última sem qualquer relação com a arte.

Entretanto, se tantas modificações fizeram o grafite superar sua má reputação, foi sua constante vontade de dizer algo a todos, de forma inclusiva e democrática, que fez dele uma das mais importantes artes urbanas da atualidade, que vem ganhando seu espaço e, cada dia mais, as ruas da cidade.


[...]

Fonte:
http://www.blogacesso.com.br/?p=2710