sexta-feira, 11 de junho de 2010

MATERIAL DIDÁTICO DO PROJETO - GRAFITE É ARTE?

TEXTO 01

Grafite: arte urbana ganha espaço e reconhecimento


Por Blog Acesso

Era o branco e o preto. Era o cinza do asfalto que cobria o caminho. Era o cinza que se via não importava para onde se olhasse. Era a cidade que se vestia sem cores para se camuflar. Veio então um colorido. Vermelho, azul e amarelo. Veio o roxo, o laranja e o verde. Vieram então tantas cores que nem se podia imaginar. Tantas formas, tantas letras, que era impossível vislumbrar. Mas também veio o homem, que chamou tudo aquilo de lixo. O homem que não quis viver o colorido. O homem que não entendia aquela euforia, que não acreditava que tudo aquilo poderia ser beleza, que todo aquele grafite poderia ser arte. Arte que estava ali para ele e todos aqueles que quisessem ver. Eram os meados da década de 1960.

Surgida na periferia de Nova York, a cultura do grafite, com suas frases e caligrafias elaboradas, desenhos de protesto social e cunho político, foi, por décadas, tida como vandalismo. Primeiro por simbolizar transgressão, já que se apropriava de espaços públicos sem autorização prévia, depois porque seus traços incomuns chocavam os olhos de quem nunca havia visto tal arte. Porém, de uma forma conturbada, essa arte e expressão sociocultural sobreviveu a cinco décadas; ultrapassou as barreiras da cidade de Nova York e ganhou as ruas de todo o mundo; modificou a visão de muitos que a consideravam puro lixo e deixou, por vezes, de ser contravenção. Mas como?

São vários os pontos que convergiram para que a visão do grafite fosse modificada. Nenhuma delas é a principal, tão pouco seu papel é coadjuvante a ponto de poder ser excluída. No entanto, o mais importante é que uma sucessão de acontecimentos culminou na atual idéia que artistas, governo e população têm do que é grafite.

Se, nos meados de 1960 e 70, a população urbana crescia de modo avassalador, a cultura campestre e interiorana ainda era expressiva. Além disso, se dentro das galerias se vivia a efervescência da pop arte, fora delas a visão de liberdade artística era outra. Sem esquecer-se de que era extrema a cultura econômica. Vindo da periferia, o grafite não poderia ser avaliado de forma diferente do que como desordem e rebeldia que deveria ser contida.

Porém, os ideais urbanos aos poucos foram sendo absorvidos pela população que entendia a efemeridade das coisas e, porque não, da arte. Com o mesmo ritmo que modificavam os ambientes da cidade, modificava-se o olhar voltado ao grafite, que também mudava.

Se, quando usado pela primeira vez, o termo grafite – que significa inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade – fora aplicado como design de inscrições informativas do Império Romano, já em suas primeiras aparições para o uso urbano agregara o cunho político e social. No século 21, a manifestação ganhou o apreço artístico, antes inimaginável. Hoje, compreende-se a diferença entre grafite e pichação, esta última sem qualquer relação com a arte.

Entretanto, se tantas modificações fizeram o grafite superar sua má reputação, foi sua constante vontade de dizer algo a todos, de forma inclusiva e democrática, que fez dele uma das mais importantes artes urbanas da atualidade, que vem ganhando seu espaço e, cada dia mais, as ruas da cidade.


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Fonte:
http://www.blogacesso.com.br/?p=2710

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