quarta-feira, 16 de junho de 2010

TEXTO 04

Para saber mais sobre o graffiti:

Graffiti uma arte bem urbana






Desde os tempos do homem das cavernas, até os nossos dias, o fenômeno da representação pelo desenho vem ocorrendo. Ao desenhar em suas paredes, o homem das cavernas procurava abstrair o animal desejado por ele, sem possuir noção do que fosse arte. Ele apenas representava o animal desejado por crença em conseguir caça-lo para sua sobrevivência. No entanto, ao manifestar-se, ele já demonstrava vontade de se expressar.

A tinta spray surge nos EUA junto com o "boom" da indústria automobilística nos anos 50. Ela foi desenvolvida neste período para ser empregada em pequenos reparos domésticos como: geladeiras, fogões, etc, e até mesmo nos reparos de latarias de automóveis que tivessem suas pinturas danificadas. Com o surgimento do movimento Hippie nos anos 60 nos EUA contra o "establishment", países do terceiro mundo, não só passaram a se utilizar da lata de tinta spray para reparos domésticos, mas também para expressar palavras de ordem em oposição à situação política vigente em seus países, nas suas manifestações de rua.

No Brasil não foi diferente. Após o período do uso do piche pelas agências de propaganda, principalmente nos anos 40/50 com as Casas Pernambucanas anunciando sua linha de produtos nos muros e suportes públicos dos mais diversos, o spray também chega ao Brasil e passa a ser empregado nos anos 60 como mais um material utilizado para propagação de palavras de ordem nas principais cidades do país, anunciando o possível golpe de Estado que estaria por nos colocar em processo de estagnação política e das liberdades democráticas. Foi então, durante este período de transição histórico-político pelo qual passamos, que um artista etíope naturalizado brasileiro e de nome Alex Vallauri começa no cais do porto de Santos, cidade onde viveu com a família por alguns anos, a criar seus primeiros personagens. Tratava-se de suas primeiras imagens iconográficas que retratavam os atores sociais do cais do porto: marinheiros, prostitutas, estivadores, etc.

Neste mesmo período nos EUA, surgiam as grandes expressões da pop arte, que já começavam a usar o spray como material-suporte para suas obras "semiótica-contemporâneas" ( leia-se artistas de peso como Andy Warhol, Roy Lieinchestein, etc). Pesquisador da variedade de imagens que os simples carimbos de almofada ofereciam, além dos processos de repetição de imagens proporcionadas pela arte do clichê, Alex começa a desenvolver a partir das técnicas da gravura, suportes que os profissionais da área chamam de recortes ou matrizes. Estudioso dedicado, Alex passa então a realizar uma fascinante viagem pelo mundo dos papéis de embrulho dos mais diversos, que com suas marcas e desenhos de criação características e comumente utilizados por açougues, padarias, farmácias, formavam um vastíssimo e rico arquivo imagético para seus propósitos artísticos.

Deste período de gestação criativa até sua viagem para Nova York onde manteve contato com o que de melhor vinha acontecendo lá, Alex deixa no Brasil a primeira semente de sua arte, que anos depois viria a germinar. De volta ao país já nos anos 80, Alex começa aqui o processo de difusão da arte do graffiti, contemplando-nos com o aparecimento da imagem de uma pequena mas muito curiosa botinha da couro preta ( quem não se lembra?). Neste período, já conhecíamos semelhante fenômeno que não só de uso político em muros, mas em muitas pedras existentes ao longo das rodovias do Brasil. Tratava-se da mensagem de um novo tipo de raça de cão que vinha sendo reproduzida aqui: o "CÃO FILA".

Curiosamente, surge um jovem adolescente de classe média ( hoje artista plástico formado por universidade) que passa a "pichar" seu próprio nome em todas as cidades do Brasil. Seu nome: JUNECA. Das muitas relações criativas com diversos artistas de peso como: Carlos Matuck e irmãos, Hudinilson Jr. dentre outros, Alex Vallauri continuava produzindo. Da amizade de muitos anos, Alex retoma projetos artísticos com o até então, polêmico e versátil escritor, artista plástico e multiperformer Maurício Villaça.

A partir deste encontro, muitos projetos começam a surgir, e Alex decide participar da Bienal de São Paulo trazendo a público por completo, com bota e tudo mais, a sua "Rainha do Frango Assado". Maurício Villaça começa a dominar as técnicas do grafite e junto com Alex acaba por difundir as muitas possibilidades plásticas que o graffiti poderia proporcionar. Mais nomes de expressão na arte do graffiti estão presentes: John Howard, Grupo Tupynãodá, Ozéas Duarte, Eduardo Castro, dentre outros. A "Rainha do Frango Assado" ganha corpo e na figura da bailarina Mara Borba vai para o teatro e faz sucesso. Nesta mesma época, na voz de Caetano Veloso, o graffiti ganha pulso musical e serve como inspiração para o compositor. Muitos adeptos do graffiti começam a surgir.

Fascinados pelas múltiplas possibilidades plásticas que a arte do graffiti oferecia, muitos jovens artistas sofrem influências e acabam formando o que se chamou da "geração de grafiteiros dos anos 90". Junto com a "boom" do graffiti, surge uma geração de jovens da periferia da cidade que com uma latinha de spray na mão, passa a se expressar, pichando os monumentos e obras arquitetônicas da cidade. Preocupados com esta avassaladora onda de pichação, mortes e perseguições que estes "pichadores" passam a enfrentar, Maurício Villaça, Ozéas Duarte, Eduardo Castro, Hudinilson Jr, e muitos dos artistas da geração 90 passam a oferecer oficinas de graffiti para estes jovens. A iniciativa traz resultados. Muitos deixam de lado a pichação e passam a fazer parte do universo da arte do graffiti, surpreendendo com sua criatividade e técnica.

Todos os anos comemora-se dia 27 de Março o "Dia Nacional do Graffiti no Brasil" por decreto lei sancionado pelo Presidente da República, data da morte do artista Alex Vallauri. Maurício Villaça veio a falecer no ano de 1993. Os dois artistas, irmão e querido amigo, bem como outros que continuam, deixaram deste período muitas lembranças e fortes influências, diria, revolucionárias na história das Artes Plásticas no Brasil.



Marcos Villaça


Fonte:

http://www.stencilbrasil.com.br/textos_4.htm

segunda-feira, 14 de junho de 2010

TEXTO 03

Grafite




A arte do grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes, dessa maneira temos relatos e vestígios do mesmo desde o Império Romano. Seu aparecimento na idade contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade, algum tempo depois essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.

O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.

O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros por sua vez não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro, o estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.

Muitas polêmicas giram em torno desse movimento artístico, pois de um lado o grafite é desempenhado com qualidade artística, e do outro não passa de poluição visual e vandalismo. A pichação ou vandalismo é caracterizado pelo ato de escrever em muros, edifícios, monumentos e vias públicas. Os materiais utilizados pelos grafiteiros vão desde tradicionais latas de spray até o látex.



Principais termos e gírias utilizadas nessa arte:

• Grafiteiro/writter: o artista que pinta.

• Bite: imitar o estilo de outro grafiteiro.

• Crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúnem para pintar juntos.

• Tag: é assinatura de grafiteiro.

• Toy: é o grafiteiro iniciante.

• Spot: lugar onde é praticada a arte do grafitismo.


Por Eliene Percília


Equipe Brasil Escola.com


Acessado em 07/06/2010 http://www.brasilescola.com/artes/grafite.htm

TEXTO 02

ARTE NOS MUROS


Os Gêmeos colorem o Cambuci e o mundo

João Wainer
Repórter fotógrafo

Os gêmeos univitelinos Otávio e Gustavo Pandolfo, 31, grafiteiros conhecidos como Os Gêmeos, desde janeiro de 2005 já expuseram seus trabalhos em Londres, Paris, Milão, Tóquio, Los Angeles, Nova York, Berlim, Havana, Hong Kong e Atenas. [...] A Nike acaba de lançar um tênis desenhado por eles, e o jornal The New York Times publicou uma reportagem elogiando a dupla e afirmando que suas obras podem valer até US$ 15 mil (R$ 34,2 mil) nos EUA.

Com um currículo desses, poderiam estar morando em qualquer lugar do mundo, mas ainda moram por aqui, no Cambuci, bairro paulistano de classe média. Não trocam a região por nada e, para a felicidade geral dos vizinhos e transeuntes, o que os irmãos mais gostam de fazer é grafitar as paredes e os muros do próprio bairro, transformando-o em uma enorme galeria de arte urbana ao ar livre.

Com os seus personagens bem vestidos e minimalisticamente desenhados nas paredes, interagindo com a paisagem, Os Gêmeos percorrem o mundo, e o bairro do Cambuci teve muito haver com isso.

No começo da década de 80, o movimento hip-hop chegou a São Paulo, e o bairro foi um dos mais influenciados pelo rap, break e grafite. [...]

“Acho que, se tivéssemos crescido em outro bairro, nosso trabalho não seria o que é hoje. Talvez nem fôssemos artistas. A gente não pensava em nada, era só curtição. Fazíamos festas e dançávamos nas esquinas, vivíamos pintando na rua. Era um clima tranqüilo, muito diferente do de hoje em dia.”

As parede do Cambuci tiveram o privilégio, muito anos antes de os irmãos nascerem, de serem pintadas por outro grande pintor brasileiro. Alfredo Volpi, que morou lá até morrer em 1988, pintava paredes e murais sob encomenda no início da carreira e também retratou em sua obra o bairro que hoje inspira os mais novos expoentes das artes plásticas brasileiras. [...]

“Quando eram pequenos, dei a eles uma folha de papel. Começaram a desenhar, um por cima, o outro por baixo. No meio do desenho, os traços se encontraram – ficou lindo. Os meninos sempre se falaram pouco. Eles se entendem pelo olhar”, conta orgulhoso o pai.

“Na Verdade, o bairro para nós é um grande ateliê. As vezes, estamos em casa, surge uma idéia e vamos para a rua a procura da parede mais próxima para fazer. Todo mundo do bairro nos conhece. Vão logo liberando os muros”, explica a dupla. [...]



Fonte: WAINER, João. Os Gêmeos colorem o Cambuci e o mundo. Folha de S. Paulo. São Paulo, 30 out. 2005, p. E6. Caderno Folha Ilustrada.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

MATERIAL DIDÁTICO DO PROJETO - GRAFITE É ARTE?

TEXTO 01

Grafite: arte urbana ganha espaço e reconhecimento


Por Blog Acesso

Era o branco e o preto. Era o cinza do asfalto que cobria o caminho. Era o cinza que se via não importava para onde se olhasse. Era a cidade que se vestia sem cores para se camuflar. Veio então um colorido. Vermelho, azul e amarelo. Veio o roxo, o laranja e o verde. Vieram então tantas cores que nem se podia imaginar. Tantas formas, tantas letras, que era impossível vislumbrar. Mas também veio o homem, que chamou tudo aquilo de lixo. O homem que não quis viver o colorido. O homem que não entendia aquela euforia, que não acreditava que tudo aquilo poderia ser beleza, que todo aquele grafite poderia ser arte. Arte que estava ali para ele e todos aqueles que quisessem ver. Eram os meados da década de 1960.

Surgida na periferia de Nova York, a cultura do grafite, com suas frases e caligrafias elaboradas, desenhos de protesto social e cunho político, foi, por décadas, tida como vandalismo. Primeiro por simbolizar transgressão, já que se apropriava de espaços públicos sem autorização prévia, depois porque seus traços incomuns chocavam os olhos de quem nunca havia visto tal arte. Porém, de uma forma conturbada, essa arte e expressão sociocultural sobreviveu a cinco décadas; ultrapassou as barreiras da cidade de Nova York e ganhou as ruas de todo o mundo; modificou a visão de muitos que a consideravam puro lixo e deixou, por vezes, de ser contravenção. Mas como?

São vários os pontos que convergiram para que a visão do grafite fosse modificada. Nenhuma delas é a principal, tão pouco seu papel é coadjuvante a ponto de poder ser excluída. No entanto, o mais importante é que uma sucessão de acontecimentos culminou na atual idéia que artistas, governo e população têm do que é grafite.

Se, nos meados de 1960 e 70, a população urbana crescia de modo avassalador, a cultura campestre e interiorana ainda era expressiva. Além disso, se dentro das galerias se vivia a efervescência da pop arte, fora delas a visão de liberdade artística era outra. Sem esquecer-se de que era extrema a cultura econômica. Vindo da periferia, o grafite não poderia ser avaliado de forma diferente do que como desordem e rebeldia que deveria ser contida.

Porém, os ideais urbanos aos poucos foram sendo absorvidos pela população que entendia a efemeridade das coisas e, porque não, da arte. Com o mesmo ritmo que modificavam os ambientes da cidade, modificava-se o olhar voltado ao grafite, que também mudava.

Se, quando usado pela primeira vez, o termo grafite – que significa inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade – fora aplicado como design de inscrições informativas do Império Romano, já em suas primeiras aparições para o uso urbano agregara o cunho político e social. No século 21, a manifestação ganhou o apreço artístico, antes inimaginável. Hoje, compreende-se a diferença entre grafite e pichação, esta última sem qualquer relação com a arte.

Entretanto, se tantas modificações fizeram o grafite superar sua má reputação, foi sua constante vontade de dizer algo a todos, de forma inclusiva e democrática, que fez dele uma das mais importantes artes urbanas da atualidade, que vem ganhando seu espaço e, cada dia mais, as ruas da cidade.


[...]

Fonte:
http://www.blogacesso.com.br/?p=2710